quarta-feira, 06 de agosto de 2003.
(16h07)

Sucen analisa infestação de pernilongo na cidade

Equipes da Superintendência de Combate às Endemias (Sucen) estarão percorrendo a cidade hoje para coletar dados e informações sobre a infestação do mosquito Culex, popularmente conhecido como pernilongo. Segundo explicou o coordenador do Setor de Controle de Endemias, Marco Antônio de Barros, o trabalho ajudará a Secretaria de Saúde a descobrir as regiões mais infestadas e as medidas que poderão ser adotadas para combater os pernilongos.

A infestação de pernilongos vem atingindo todos os bairros da cidade, e além dos riscos de transmitir doenças como a filariose ou elefantíase, o Culex também tem provocado transtornos e prejudicando o sono da grande maioria da população. De acordo com Barros, um dos motivos que podem ter facilitado a proliferação do pernilongo é a estiagem. "Ao contrário do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, a ocorrência de chuvas ajudaria a controlar o aumento dos pernilongos, já que elas poderiam ajudar a eliminar os ovos do Culex, que em geral são depositados em pequenas poças de água", explicou.

Um dos locais mais propícios à proliferação do pernilongo tem sido as margens do Córrego Afonso XIII, principalmente devido ao mato que vem crescendo nas encostas. Segundo as informações, o matagal dificulta a evaporação das poças de água, contribuindo para a infestação do mosquito. Apesar da origem localizada, a infestação vem atingindo toda a cidade devido ao raio de vôo do Culex, que gira em torno de 5 a 6 quilômetros.

Para se ter uma idéia a autonomia de vôo do pernilongo é mais cerca de sete vezes maior que a do Aedes aegypti, que gira em torno de 800 metros. "Por isso, mesmo que o problema esteja realmente concentrado nas áreas próximas ao Córrego Afonso XIII, toda a população acaba sendo prejudicada com a infestação do Culex. Mas com o auxílio das equipes da Sucen esperamos encontrar uma maneira mais eficaz e rápida para combater os pernilongos", afirmou.

Só as fêmeas picam

O nome científico Culex denomina o mosquito comum, uma praga bem conhecida nos climas temperados. De hábitos noturnos, sua picada e zunido são extremamente irritante. Entretanto, somente as fêmeas picam. Ela perfura a pele da vítima com seu aparelho picador, inocula sua saliva misturando-a com o sangue (para evitar que o sangue coagule) e suga a mistura.

À medida que o mosquito se alimenta, seu abdome incha-se e torna-se avermelhado. O Culex também ataca no inverno, novamente apenas as fêmeas já que os machos morrem no outono. Até alcançar a maturidade, os mosquitos sofrem muitas metamorfoses. Primeiro a fêmea põe seus ovos na água, em massas flutuantes de 40 a 400 ovos.

As larvas, que saem logo em seguida, ficam suspensas na superfície da água por finos pêlos. Um sifão existente na extremidade do abdome permite-lhes respirar, obtendo oxigênio do ar. Alimentam-se principalmente de algas verdes e microorganismos. Em três semanas sofrem três modificações. O quarto estágio é a ninfa, cujo casulo se rompe e o mosquito adulto aparece e abre suas asas. Este é o último estágio e o começo de uma nova vida.



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