Máquina que engole mosquitos
pode combater o pernilongo



A empresa American Biophysics Corporation desenvolveu uma máquina que atrai e engole as fêmeas de várias espécies de mosquitos. A sua representante exclusiva no Brasil, a empresa paulistana Mosquitron do Brasil, iniciou a comercialização do produto no país há cerca de três meses e já vendeu 302 equipamentos para empresas e pessoas físicas. O diretor da Mosquitron, Hélio José Poli, afirma que a máquina, chamada de "Mosquito Magnet", foi "tropicalizada" e está preparada para eliminar espécies nativas, como o Aedes Aegypt (transmissor da dengue), Aedes Scapularis (transmissor da encefalite) e Culex sp (pernilongo comum). Segundo Poli, a Mosquitron iniciou testes com as prefeituras do Rio e São Paulo para instalar os equipamentos em lugares de grande incidência de insetos como forma de combater a dengue e outras doenças.
"Temos três máquinas em São Paulo, como parte do projeto "Pomar" da Prefeitura", diz Poli. O equipamento, segundo ele, não utiliza nenhum tipo de pesticida. O "Mosquito Magnet" exala dióxido de carbono (CO2) e ácido láctico, eliminados pelos seres humanos durante a transpiração. Segundo os técnicos da American Biophysics, essas substâncias, aliadas ao calor e à umidade, atraem a fêmea do inseto hematófago (que se alimenta de sangue) para o equipamento. Desta forma, um pequeno exaustor suga os mosquitos para uma rede interna, onde eles morrem por falta de alimento.
O equipamento pesa 15 quilos e custa R$ 2.990 cada, na versão mais simples. Ele funciona 24 horas, movido a gás de cozinha. Cobre uma área de até quatro mil metros quadrados e chega a eliminar 1.500 mosquitos por dia. Segundo Poli, a Mosquitron espera faturar R$ 4,5 mi com a novidade em 2003. No ano passado, a American Biophysics vendeu 60 mil unidades do aparelho nos EUA.
De acordo com Poli, os americanos estudam instalar uma fábrica no Brasil para produzir de mil a 2 mil unidades por ano e abastecer o mercado da América do Sul. Segundo o executivo, a empresa tem interesse em aumentar as pesquisas no Brasil porque as condições climáticas e as espécies dos insetos são semelhantes a outros países de clima quente, como a Índia. Atualmente, as máquinas são importadas e trazidas ao país em contêineres por navios.
Embora a máquina seja particularmente interessante para hospitais e empresas de agribusiness, Poli afirma que as principais consumidoras do equipamento no Brasil têm sido grandes companhias, como a Avon e a Clariant. "Instalamos 15 máquinas no Centro Empresarial de São Paulo e, em 30 dias, capturamos 115 mil fêmeas do mosquito Culex", conta. Poli lembra que muitas unidades foram vendidas para residências. "Numa casa do bairro de elite, instalamos seis equipamentos". Segundo ele, a Mosquitron acompanha os resultados com relatórios analisados por biólogos. "Os técnicos prosseguem as pesquisas para detectar novos odores que atraem os insetos".